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Cadeirinha depois de acidente: quando trocar, quando dá para continuar usando e como decidir

Depois de uma batida moderada ou grave, troque a cadeirinha, mesmo que ela pareça perfeita. Depois de uma batida leve, a troca pode não ser necessária, mas quem confirma é o manual ou o fabricante, com base em critérios objetivos.

Atualizado em Por Equipe Cadeirinha Bebê
Bancos de um carro vistos por dentro, sem ocupantes
Neste artigo
  1. Por que uma cadeira que parece inteira pode já não proteger
  2. Batida leve, moderada ou grave: como saber
  3. Tabela de decisão
  4. Na prática: o que fazer depois da batida
  5. Na prática: inspeção da cadeira depois de uma batida leve
  6. O que perguntar ao fabricante
  7. Erros comuns
  8. O que a gente faria
  9. Fontes

Depois de uma batida moderada ou grave, troque a cadeirinha, mesmo que ela pareça intacta. Depois de uma batida leve, ela pode continuar em uso, mas só se a batida cumprir critérios claros e o manual ou o fabricante confirmarem. Na dúvida sobre a gravidade, a gente trata como moderada.

É uma decisão chata de tomar logo depois de um susto. Este texto organiza o que fazer, na ordem, para você decidir com calma e sem gastar à toa.

Resposta rápida: colisão moderada ou grave, troque a cadeira, segundo a NHTSA. Colisão leve, confira os cinco critérios abaixo e o que o manual diz; se um único critério falhar, troque. Alguns fabricantes mandam trocar depois de qualquer impacto acima de 20 km/h.

Por que uma cadeira que parece inteira pode já não proteger

Numa batida, a cadeirinha trabalha. O plástico e as espumas absorvem parte da energia, as fitas seguram o corpo da criança e a estrutura da cadeira recebe a força que vem dos pontos de fixação. Depois disso, ela pode ter microfissuras, rachaduras finas no plástico que muitas vezes não aparecem a olho nu.

Uma cadeira com microfissuras pode até parecer nova. O problema é que, numa segunda batida, ela pode não se comportar como nos testes, e não há como saber antes. É por isso que a NHTSA, agência de segurança no trânsito dos Estados Unidos, recomenda trocar a cadeira depois de colisão moderada ou grave. A Criança Segura vai na mesma linha e orienta não reutilizar cadeira que já passou por acidente.

Para dar proporção: dispositivos de retenção bem instalados reduzem o risco de morte em até 71%. Uma cadeira em bom estado é a peça que garante esse efeito. Vale proteger isso.

Batida leve, moderada ou grave: como saber

A NHTSA considera uma batida leve apenas quando todas estas condições se aplicam:

Critério Pergunta para você
1. O carro saiu andando do local Foi possível dirigir o carro depois da batida, sem guincho?
2. A porta mais próxima da cadeira não foi danificada A porta do lado da cadeirinha está intacta?
3. Ninguém no carro se machucou Nenhum passageiro teve qualquer lesão?
4. Os airbags não abriram Se o carro tem airbag, nenhum foi acionado?
5. Não há dano visível na cadeira Nenhuma trinca, deformação ou marca no plástico, nas fitas ou na fivela?

Se uma resposta for “não”, a batida já não conta como leve. Nesse caso, a orientação é trocar.

No Brasil, a Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) orienta que, numa colisão leve, a decisão seja avaliada com o fabricante. E vale lembrar: alguns fabricantes mandam trocar a cadeira depois de qualquer impacto acima de 20 km/h, mesmo que a batida pareça leve. Por isso o manual vem antes de qualquer regra geral.

Tabela de decisão

O que aconteceu O que fazer
Colisão moderada ou grave Trocar a cadeira
Colisão leve, os 5 critérios da NHTSA cumpridos, manual sem regra específica Falar com o fabricante; pode seguir em uso se ele confirmar
Colisão leve, mas o manual manda trocar acima de certa velocidade ou após qualquer acidente Seguir o manual
Você não sabe a velocidade nem a gravidade Tratar como moderada e trocar
Cadeira vazia, mas presa ao carro Mesmos critérios de cima
Cadeira solta no porta-malas na hora da batida Inspecionar e falar com o fabricante

Na prática: o que fazer depois da batida

  1. Cuide primeiro das pessoas. Se a criança bateu a cabeça, chorou de um jeito diferente ou você tem qualquer dúvida, procure atendimento médico. A cadeira pode esperar.
  2. Fotografe tudo antes de mexer. O carro, a porta do lado da cadeira, a cadeira instalada e a etiqueta dela. As fotos servem para o fabricante e para o seguro.
  3. Responda aos cinco critérios da tabela acima. Seja honesto com você mesmo: airbag aberto ou porta amassada já decidem a questão.
  4. Abra o manual da cadeira e procure a seção sobre acidentes. Alguns trazem regra própria, como a troca acima de 20 km/h.
  5. Ligue para o atendimento do fabricante com o modelo, o lote, a data de fabricação e as fotos. Use as perguntas da próxima seção.
  6. Fale com a seguradora se o carro tem seguro. Pergunte se a apólice cobre itens que estavam no carro.
  7. Se a decisão for trocar, inutilize a cadeira antiga. Corte as fitas, escreva “não usar” no plástico e descarte separando as partes.
  8. Comunique o acidente ao Inmetro, se a cadeira falhou. O Sinmac, sistema do Inmetro que monitora acidentes de consumo, recebe esse tipo de relato. Suspeita de fraude na certificação vai para a Ouvidoria do Inmetro, no 0800 285 1818.
  9. Instale a cadeira nova com calma, seguindo o manual dela, e faça o teste de firmeza. O guia ISOFIX ou cinto mostra cada sistema.

Na prática: inspeção da cadeira depois de uma batida leve

Se a batida passou nos cinco critérios, faça esta inspeção antes de ligar para o fabricante. Ela ajuda a descrever o estado da cadeira com precisão.

  1. Tire a cadeira do carro e coloque num lugar com boa luz.
  2. Remova a capa e as espumas que saem sem ferramenta, como o manual mostra.
  3. Olhe o plástico inteiro, por dentro e por fora, inclusive embaixo do assento e atrás do encosto. Procure trincas, partes amassadas e marcas esbranquiçadas, que aparecem quando o plástico foi forçado.
  4. Passe a mão nas fitas de ponta a ponta. Cortes, fios puxados ou trechos mais finos são sinal de dano.
  5. Teste a fivela várias vezes. Ela precisa travar com clique firme e soltar normalmente.
  6. Teste os ajustes: altura das alças, encosto de cabeça, reclinação e, se houver, o giro.
  7. Confira o ISOFIX, o top tether e a perna de apoio, se a sua cadeira tiver. Os conectores precisam travar e destravar nos dois lados, e os indicadores precisam responder.
  8. Fotografe cada parte e mande junto na conversa com o fabricante.

Se qualquer item desta lista mostrar problema, o critério 5 da NHTSA já falhou. Nesse caso, troque a cadeira.

E aquela batidinha de estacionamento?

É a dúvida mais comum. Um toque em manobra, com o carro quase parado, muitas vezes cumpre os cinco critérios: o carro sai andando, ninguém se machuca, a porta fica intacta e o airbag não abre. Mesmo assim, faça a inspeção acima e consulte o manual, porque a regra do fabricante vale mais que a impressão de que “não foi nada”.

O que perguntar ao fabricante

Leve estas perguntas na ligação ou no e-mail:

  1. “O manual deste modelo traz algum critério de troca depois de acidente?”
  2. “Existe velocidade a partir da qual vocês mandam trocar?”
  3. “Com estas fotos e esta descrição, a cadeira pode continuar em uso?”
  4. “Vocês oferecem algum programa de troca ou desconto para cadeira que passou por acidente?”
  5. “Peças como a base ou as fitas podem ser trocadas separadamente, ou só a cadeira inteira?”

Anote o nome do atendente, a data e o protocolo. Se a resposta for “pode continuar”, peça por escrito.

Erros comuns

  1. Achar que “não aconteceu nada com a cadeira” porque ela parece nova. Microfissuras nem sempre aparecem.
  2. Tratar batida com airbag aberto como leve porque o carro ainda anda. Um critério falhou, a batida não é leve.
  3. Reaproveitar só a base do bebê conforto. A base também estava presa ao carro e recebeu a força da batida. Siga os mesmos critérios para ela.
  4. Vender ou doar a cadeira batida. Quem recebe não sabe o histórico. O texto sobre validade da cadeirinha e cadeirinha usada explica por que o histórico é a primeira pergunta.
  5. Comprar a primeira cadeira que aparecer por pressa. Se precisar de uma solução imediata, compre com calma um modelo de entrada certificado e, se quiser, troque depois por outro.

O que a gente faria

Se a batida foi moderada ou grave e você precisa de uma cadeira nova já: compraria um modelo de entrada certificado para não ficar sem, como o Cosco Progress, do nascimento aos 36 kg, ou o Cosco Wizz, se o bebê ainda está na fase do bebê conforto. Ambos estão na faixa de preço mais baixa e têm registro no Inmetro.

Se a troca é a hora de melhorar a cadeira: olharia a Safety 1st Multifix, que instala com cinto ou ISOFIX e tem indicador de instalação correta, ou a Safety 1st i-NXT 360, giratória i-Size, se o seu carro tem ISOFIX e top tether. O comparativo entre Multifix e Cosco Progress ajuda a decidir entre as duas multigrupo mais procuradas.

Se a batida foi leve e o fabricante liberou: continuaria usando, guardaria o protocolo e passaria a fazer uma inspeção visual da cadeira a cada lavagem de capa. Para ver todas as opções antes de qualquer decisão, a lista das melhores cadeirinhas para carro reúne os modelos que a gente avaliou.

Fontes

Modelos citados neste artigo

Perguntas frequentes

A cadeirinha estava vazia na hora da batida. Precisa trocar?

Os critérios da NHTSA falam do carro, dos passageiros e da própria cadeira, não de a criança estar nela. A cadeira estava presa ao carro e recebeu parte da força da batida. Se a colisão foi moderada ou grave, a gente trocaria do mesmo jeito; se foi leve, confirme com o fabricante.

O bebê conforto caiu no chão. Precisa trocar?

Não há uma regra pública única para quedas. Olhe a concha com cuidado em busca de trincas ou marcas brancas no plástico e confira se a alça e o encaixe da base continuam travando. Depois, pergunte ao fabricante com o modelo e o lote em mãos.

Como saber se a cadeirinha tem microfissura?

Nem sempre dá para ver. É justamente por isso que a NHTSA recomenda trocar depois de colisão moderada ou grave, mesmo sem dano aparente. Numa batida leve, qualquer trinca, deformação ou marca visível já tira a cadeira do critério de batida leve.

Posso doar ou vender uma cadeirinha que passou por acidente?

Não. A Criança Segura orienta não reutilizar cadeira que já passou por acidente, e quem recebe não tem como avaliar o que aconteceu. Inutilize a cadeira antes de descartar: corte as fitas e marque o plástico.

O seguro do carro paga a cadeirinha nova?

Depende da apólice e da seguradora. Algumas coberturas incluem itens que estavam no carro, outras não. Guarde a nota da cadeira e as fotos do acidente e pergunte ao seu corretor.